Não ao trote!

troteÉ Senhoras e Senhores, hoje fui surpreendida com o “trote” que recebemos.

Logo na primeira semana do curso de administração (há + ou – um ano atrás) fiquei sabendo que política do CA do curso era o “Trote Cidadão” que visa fazer com que o calouro faça uma ação social e contribua para a sociedade, assim ele é inserido em um novo ambiente onde ele é um agente social benéfico. Que se preocupa com a sociedade. Plantando uma arvore, vendendo sucos energéticos, doando sangue, limpando a praia, recolhendo alimentos para doação e etc.

Devo dizer que dou o maior valor a esse tipo de trote quando não apresenta agressões, nem humilhações, e brincadeiras de mau gosto.

O trote comum não marca passagem nenhuma. Pelo contrario estimula o calouro a praticar novamente o trote com os novos calouros e assim sucessivamente. Oficializa a hierarquia entre calouros e veteranos. E não venha me falar que é apenas uma brincadeira, o que na verdade só tem graça para os veteranos. Quer um exemplo?  Há uns meses atrás conversava no msn com  um amigo e falava contra o trote, ele me disse mais ou menos assim: “o que é que tem uma tintinha na camisa, é brincadeirinha, eu passei todo mundo tem de passar”. Parece na verdade que o calouro não superou a humilhação que sofreu e quer se vingar do novo calouro agora que ele é veterano.

Mas vamos falar de hoje, cheguei à universidade como sempre meio desconfiada com receio do trote. (Ontem fiquei em casa repousando por causa da cirurgia). Vi logo pela grade que já existiam alguns feras sendo submetidos a ele. Eles estavam sendo pintados e estavam presos por uma corda. Cheguei à minha sala, esperei um pouco e chegaram os alunos do CA dizendo que agente saísse da sala porque eles iam arrumar pra agente um café da manhã.  Saímos muito desconfiados. Enquanto esperávamos numa praçinha no nosso bloco mesmo presenciamos mais calouros sendo ridicularizados. Pintados, amarrados, em filas, descalços, cantando músiquinhas de jardim de infância e sendo obrigados a chamar as pessoas a ir ao banheiro (invenção de veteranos). Não! Não venha me falar que isso é brincadeira.

Quando voltamos pra a sala tinha um café da manhã e eles conversaram com agente sobre “O trote” e disseram que têm uma proposta diferente, tratar bem o calouro, eliminar as diferenças, e fazer um calouro mais consciente do seu papel na sociedade.

Um curso humanizado, isso é muito bom.

Da próxima vez que você for pintar um calouro, jogar farinha ou submete-lo a qualquer tipo de humilhação pense no que você ganha e aprende com isso. Pense qual o bem que isso trás.

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