Cair dói

Quando eu era criança, eu brincava muito, corria muito, era uma meninona, às vezes ainda sou assim “meninona”. E eu brincava exageradamente, corria exageradamente, vivia exageradamente, ser espontânea tem seu ônus, mas quando criança é praticamente só bônus.

Durante minha infância nos mudamos para uma casa maior onde tínhamos mais espaço, todos os dias eu brincava à tarde com o meu irmão. Entre outras brincadeiras, jogávamos principalmente futebol, ou melhor, “travinha” (duas traves, dois jogadores, uma bola), ou melhor, ainda, como costumávamos dizer “fut-lasca”(o mesmo que travinha mais muitos chutes na bola e nas “canelas”), jogávamos uma partida de 10 gols, ou 2 tempos de 10 minutos, era incrível, o outro jogo que brincávamos muito era “frescotênis” (duas raquetes de frescobol, uma bola de tênis, e uma rede improvisada), nossas tardes eram muito divertidas, estudávamos até as 15:30 e depois só lazer, acho que isso até uns 11 anos.

Algumas vezes eu corria, caia e me machucava, e doía, como doía, aí eu chorava e como chorava. Mas no outro dia voltava a correr e me machucar, porque se machucar faz parte da vida, nós sempre vamos nos machucar, o importante é não parar de correr. Cair dói, se machucar dói, mas é preciso continuar a correr,

Quando eu era criança eu corria, caía me machucava e chorava, hoje eu continuo “correndo”, “caindo”, me machucando e principalmente chorando.

Ainda que você caía, se machuque e chore, não deixe de correr. Cair, você vai sempre, chorar também, só não desista nem se esqueça de continuar a correr!